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Nossa Senhora da Purificação

>> terça-feira, 11 de março de 2014

Afresco de Giotto di Bondone - Cena 19 da vida de Cristo - Em Pádua - Itália
Afresco de Giotto di Bondone – Cena 19 da vida de Cristo – Em Pádua – Itália
A apresentação de Jesus no Templo, celebrada no dia 2 de fevereiro, celebra um episódio da infância de Jesus. Na Igreja Ortodoxa e em algumas Igrejas Católicas Orientais, ela é uma das doze Grandes Festas, e é por vezes chamada de Hypapante (literalmente “Encontro”, em grego), Outros nomes tradicionais são CandeláriaPurificação da Virgem e Encontro do Senhor. Na Igreja Católica Romana, a festa é uma das maiores, realizada entre a Festa da Conversão de São Paulo, no dia 25 de janeiro, e a Festa do Trono de São Pedro, em 22 de fevereiro.
No rito latino da Igreja Católica, a Apresentação de Jesus no Templo é o quarto Mistério Gozoso do Santo Rosário. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta festa tem sido referida como a festa da Apresentação do Senhor.
A festa da Apresentação é uma das mais antigas festas da Igreja.
A mais antiga referência sobre os rituais litúrgicos específicos sobre a festa foram descritos pela freira Egeria durante a sua peregrinação à Terra Santa entre 381 e 384. Ela reportou que 14 de fevereiro era um dia solene em Jerusalém, com uma procissão até a Basílica da Ressurreição de Constantino I, com uma homilia sobre Lucas 2:22 e uma Liturgia Divina. A chamada Itinerarium Peregrinatio (“Itinerário da Peregrinação”) de Egeria não oferece, porém, nenhum nome específico para a festa. A data de 14 de fevereiro indica que em Jerusalém, na época, celebrava-se o nascimento de Jesus em 6 de janeiro, dia da Epifania. Nas palavras dela:
Apresentação do Senhor -  Por Hans Holbein, o Velho - Kunsthalle de Hamburgo, Alemanha.
Apresentação do Senhor – Por Hans Holbein, o Velho – Kunsthalle de Hamburgo, Alemanha.
Originalmente, a festa era uma celebração menor. Mas então, em 541, uma terrível praga irrompeu em Constantinopla matando milhares. O imperador bizantino Justiniano I, em consulta com o patriarca de Constantinopla, ordenou um período de jejum e oração por todo o Império Bizantino. E, na festa do “Encontro do Senhor”, organizou grandes procissões por todas as cidades e vilas, além de um serviço solene de orações (Litia) para pedir a libertação de todos os males e o fim da praga. Em agradecimento, em 542, a festa foi elevada para uma celebração mais solene e passou a ser celebrada por todo o império pelo imperador.
Em Roma, a festa aparece no “Sacramentário Gelasiano”, uma coleção de manuscritos dos séculos VII e VIII associados com o papa Gelásio I, mas com muitas interpolações e algumas fraudes. É ali que aparece pela primeira vez o novo título da festa, “Purificação da Abençoada Virgem Maria”.
Nossa Senhora da Purificação
Há várias denominações para a Virgem da Purificação, entre elas destacam-se: Nossa Senhora da Candelária, das Candeias, da Luz e da Apresentação.
Maria, executou sua parte no Plano da Salvação, seguindo todos os ensinamentos para que tudo se cumprisse conforme a vontade do Criador, de acordo com as Sagradas Escrituras.
Maria-KellyAs mulheres dessa época eram consideradas impuras após o parto. Eram afastadas durante alguns dias do convívio social e das atividades religiosas no Templo. Passado o resguardo a mãe e a criança deveriam ir ao Templo. Ela para ser “purificada” conforme a Lei, a criança para ser apresentada ao Senhor.
No tempo determinado, a Sagrada Família foi ao Templo para a apresentação do Menino Jesus, à Deus-Pai. Maria na sua infinita humildade submeteu-se à cerimônia da purificação. Por este motivo, para demonstrar o grande respeito e carinho à Santíssima Virgem, os primeiros cristãos passaram a comemorar o dia da Purificação de Maria, em 02 de fevereiro.
O Papa Gelásio, que governou a Igreja entre 492 e 496, acabou instituindo para toda a cristandade esta procissão noturna dedicada à Mãe Santíssima. O trajeto, que representa o primeiro caminho percorrido pela Sagrada Família, deve ser todo iluminado por candeias, ou candelárias, e os fiéis carregam nas mãos velas acesas, entoando hinos em louvor à Maria. Dessa antiga tradição, veio o título de Nossa Senhora das Candeias, ou da Candelária.
A festa de Nossa Senhora da Purificação é uma das mais antigas do catolicismo. Mas esse dia de luz tem um enfoque todo especial para o corpo da Igreja. É que em geral, religiosos e religiosas o escolhem para pronunciar seus votos solenes de castidade, pobreza e obediência, para consagrar e colocar suas vidas à serviço do Senhor.
No Brasil a Igreja de Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro em Salvador/BA, é uma das mais antigas do Brasil e data de 1608.
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Nossa Senhora das Candeias

>> quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A origem da devoção à Senhora das Candeias tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). De acordo com a tradição mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar ao Templo até quarenta dias após o parto; nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacríficio (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e assim purificar-se.
Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, teria-lhes dito: «Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo» (Lucas, 2,29-33).

Com base na festa da Apresentação de Jesus / Purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: o Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora das Candeias, cujas festas eram geralmente celebradas com uma procissão de velas, para relembrar o fato.

Aparência

A Virgem da Candelária ou Nossa Senhora da Luz apareceu em uma praia na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) em 1400. Os nativos guanches da ilha ficaram com medo dela e tentaram atacá-la, mas suas mãos ficaram paralisadas. A imagem foi guardada em uma caverna, onde, séculos mais tarde, foi construído o Templo e Basílica Real da Candelária (em Candelária). Mais tarde, a devoção se espalhou na América. É santa padroeira das Ilhas Canárias, sob o nome de Nossa Senhora da Candelária.

Invocação e expansão do culto

Nossa Senhora das Candeias era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: «Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora das Candeias [...]»), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à ação mecenática da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e sua terceira esposa, D. Leonor de Áustria.

A partir daí, a devoção à Senhora das Candeias cresceu, e com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da cidade de Curitiba.

Lenda de Nossa Senhora das Candeias

A lenda de Nossa Senhora das Candeias é um mito sobre a fundação de Curitiba. Haveria uma imagem de Nossa Senhora das Candeias, localizada na capela do primeiro vilarejo da região, a Vilinha, ainda às margens do Rio Atuba (Curitiba). Todas as manhãs esta imagem estava voltada para uma dada direção. Interpretando como uma vontade da Santa, foi feito um contato com o cacique dos índios tingüi, o cacique "Tindiquera". Este teria localizado o novo local e colocado uma vara no chão, dizendo "Coré Etuba", com o significado de "muito pinhão". Desta vara teria brotado uma frondosa árvore, sendo este o marco zero da cidade de Curitiba.

Existem outras lendas de Nossa Senhora da Luz em diversos locais do Brasil: Guarabira/PB, Pinheiro Machado/RS, Itu/SP, ou ainda Corumbá/MS. Em Juazeiro do Norte, Ceará, ocorre todos os anos uma grande romaria em sua homenagem.

Nossa Senhora da Luz, dita A Virgem do Carvoeiro. esta última imagem é brasileira do século XVI e está no Museu de Arte Sacra de São Paulo.

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A festa da Imaculada Concepção

>> quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A festa da Imaculada Concepção foi instituída primeiramente na Igreja Grega, por volta do século V. Somente por volta do século VII ela é adotada também pela Igreja Latina. A data de comemoração, escolhida inicialmente por vontade dos monges que organizaram a primeira festa ainda na Igreja Grega para o dia 9 de dezembro, acabou sendo mudada na Igreja Latina para o dia 8 de dezembro.

Numerosas vezes a festa caiu em desuso e numerosas vezes foi reinstituída ao longo da Idade Média em diversos países europeus. A devoção foi ganhando cada vez mais adeptos e, por volta do século XIII teve início uma grande controvérsia entre Franciscanos e Dominicanos em relação ao dogma. Os Franciscanos defendiam o dogma como o conhecemos hoje: Maria teria sido também concebida sem pecado original, como estava decidido desde o início.
Já os Dominicanos defendiam que Maria teria sido apenas santificada no ventre de Ana, como aconteceu com João Batista, tornando assim seu nascimento um pouco menos miraculoso. Tanto Dominicanos quanto Franciscanos acreditavam que suas versões para o nascimento de Maria estariam fortalecendo a Igreja Católica e a figura do Cristo enquanto salvador.

Entre os séculos XIII e XIV travou-se um embate acirrado entre os doutores da Igreja Latina, que se refletiu na arte produzida na época. Encontramos várias representações da concepção e do nascimento da Virgem apresentando claramente ora idéias defendidas pelos Franciscanos, ora as que advogavam os Dominicanos. As obras que eram partidárias dos Dominicanos tentam mostrar o lado mais humano das cenas, com um tratamento menos idealizado e omitindo qualquer menção a milagres. Já as partidárias dos Franciscanos, mostram as cenas bastante idealizadas e sempre cercadas de eventos milagrosos. Hoje, sabemos que os Franciscanos venceram este embate, mas é importante lembrar que entre os séculos XVI e XVII os jesuítas ainda discutiam o dogma da Imaculada Concepção da Virgem e as controvérsias foram sempre tantas, que só em 1854 o dogma foi reconhecido pela Igreja Católica.

Na constituição Ineffabilis Deus de 8 Dezembro de 1854, Pio IX afirmou que a Virgem Maria Abençoada "no primeiro momento de sua concepção, por um privilégio único e por graça de Deus, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador da raça humana, foi preservada de toda a mancha do pecado original.”

Referências da imagem do post:

Retábulo da Virgem Maria - National Gallery, Londres.
Neste retábulo pode-se observar representações que tendem a reforçar as idéias franciscanas. Aqui, Maria, representada como a Virgem da Humildade, aparece entronizada com o menino e cercada de cenas de milagres envolvendo seu nascimento e seu culto. Nos painéis da esquerda, foram representadas cenas miraculosas envolvendo o nascimento da Virgem:
1) Oferenda de S Joaquim rejeitada;
2) Anjo aparece para S Joaquim;
3) O encontro na porta Dourada;
4) Nascimento da Virgem.
Nos painéis da direita encontramos cenas mostrando milagres da Virgem relacionados à Festa da Imaculada Concepção:
1) Helsin é salvo do naufrágio;
2) Helsin pregando a favor da festa;
3) Padre pecador francês sendo afogado por demônios;
4) Padre restituído à vida. Na predella encontramos representações de Cristo e dos 12 apóstolos. Imagem do site:
http://www.philipresheph.com/a424/gallery/concept/concept.htm

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